Meu nome é Joel Ribeiro do Prado, sou natural de São Paulo-SP. Tenho um
escritório que dá assessoria em marcas e patentes, atividade que
desenvolvo há trinta anos, após ter sido relaçõe públicas da Editora
Abril, em nível de governo.
Estou determinado a colaborar no desmascaramento da seita Mahikari, pois
ela, através do seu mecanismo de dominação mental, bloqueou a
capacidade de discernir da minha esposa, afastou-a do nosso lar,
destruiu o nosso casamento e reprovou a idéia da minha já então
ex-companheira de refazer a nossa união, o que ela pretendeu por sentir
falta de mim, pois sempre fui um grande amigo que tudo fez para melhorar
a vida dela que, quando nos conhecemos, já estava severamente afetada
pela obsessão em que se transformara a seita. Para impedi-la de voltar
ao meu convívio, além de desaconselhá-la, deram-lhe um novo encargo, que
é o de "orientar" trezentos ou mais iniciantes na arte Mahikari.
Antes de conhecer o site em que os ex-membros da seita testemunham a
verdadeira finalidade dela, eu, para saber o que seria em realidade a
Mahikari, que fizera da minha companheira uma marionete, cursei o
seminário básico. Nada do que vi me agradou, nem os chamados
ensinamentos, já que mal se disfarçava a intenção de reter aprisionadas
ali pessoas ingênuas, com deficiente estruturação psicológica e, por
isto, capazes de se impressionar até com as orientações primaríssimas
ministradas e que já na infância a gente recebe dos pais, quando eles
têm boa formação.
Vi médicos participando de uma entidade que os discrimina, vi pessoas de
bom nível profissional, e que poderiam doar o seu tempo em benefício
real de outros, reduzindo-se a faxineiros de banheiros, porteiros de
estacionamento e até transformando as suas residências em bases de
curandeirismo, sem a menor preocupação com os resultados funestos que
tantas vezes são produzidos pela falta de cuidados médicos adequados.
Cansei de estar só, de não ter a companhia da minha esposa nos almoços
de domingo, muitos deles elaborados por mim mesmo, que trago da
infância, vivida perto de uma inesquecível avó paterna, a convicção de
que a cozinha é o lugar da casa onde se pode consolidar uma união
familiar, com todos participando desde a feitura dos pratos até a
reunião dos comensais numa mesa onde as idéias, os fatos, enfim, tudo o
que seja assunto da família pudesse ser conversado num tom fraterno.
Essas reuniões eram sempre impedidas pelas enfadonhas cerimônias em que
o tom falso predomina e o senso maduro nunca permeia os depoimentos dos
crédulos.
Por amar a minha esposa, fui resistindo às decepções com as atitudes
imoderadas dela na sua submissão à seita. Dei a ela sociedade no meu
escritório, mas ali também a Mahikari se fazia presente destrutivamente.
Logo pela manhã, apareciam lá três ou mais pessoas para receber o
okiome. A manhã se consumia nesse desvio do trabalho e a tarde era
prejudicada pelos numerosos telefonemas que ora eram de pessoas querendo
informações sobre a seita, ora era de membros ou dirigentes dela, para
solicitar coisas.
Várias vezes ví minha mulher, quando em conversa com quaisquer pessoas -
até com clientes nossos - deixar, propositadamente, cair no chão um
folheto da Mahikari, para em seguida dizer que "nada é por acaso"
e talvez aquela pessoa estivesse com algum problema que poderia ser
resolvido na Mahikari. Como as pessoas sempre têm algum problema, essa
forma de difundir a seita rende bons resultados para os seus dirigentes.
Minha mulher foi três vezes ao Japão, "para receber mais luz", como diz
ela. A primeira vez em que ela foi, nós ainda não nos conhecíamos. Em 1.
999, já vivendo juntos, ela foi ao Japão pela segunda vez. Onze meses
depois, quando cheguei à nossa casa pensando em levá-la a um
restaurante, encontrei sobre a mesa da sala um bilhete em que ela dizia
"Fui para o Japão. Beijos."
Arrebentado sentimentalmente, parecia que um ácido corroia o meu
interior. Entendendo que poderia combater aquele
mal-estar dedicando-me à feitura de uma coisa realmente boa, ocorreu-me
tratar de alguns problemas de desentendimento genelalizado na família,
que era algo onde os ressentimentos predominavam - um grupo cujos
componentes estavam muito dispersos. Assim, movido por essa idéia, fui
para diante do computador e escrevi PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA
VONTADE. Em seguida, distribui o texto entre vários familiares. Quando
a minha esposa voltava do Japão, eu já havia conseguido o meu intento de
pacificar a familia, mas havia ocorrido, na noite anterior, a morte da
ex-sogra dela, da qual ela gostava. Fui buscá-la no aeroporto e voltamos
conversando normalmente, sem que eu tocasse em nada que pudesse alterar
aquele reencontro que eu queria que fosse harmonizador. Apenas quando
entramos na garagem da nossa casa foi que eu comuniquei a ela a morte da
ex-sogra, cujo corpo já estava numa cidade distante cerca de 400km. Eram
13h e ela me perguntou a que horas seria o sepultamento. Repondi que
seria por volta das 17h e ela falou que teria de ir para lá
imediatamente, pois a falecida não podia ser sepultada sem receber
a imposição das mãos. Com muita dificuldade, demovi-a da idéia de ir
para o féretro, pois teria de ir em alta velocidade, para chegar a
tempo. Durante a tarde, sabendo que eu convidara as pessoas da família
para um jantar - entre elas estavam os filhos dela - ela, que estava
contrafeita por não ter ido impor as mãos na falecida, reagiu
surpreendentemente, dizendo que eu estava querendo competir com a
religião dela.
Impor as mãos é a religião da minha ex-esposa, que não tem qualquer
outra atitude espitualista. Ela está oca - piedade zero, solidariedade
zero, arrependimento zero.
A Mahikari, quando soube, isto há cerca de cinco meses, que havíamos nos
reaproximado, deu a ela uma incumbência maior - a de orientar cerca de
trezentas pessoas que por lá andam. Ao me comunicar isto, ela disse que
estava pensando em se matar, pois se sentia dividida entre a vontade de
voltar a viver comigo e a obrigação de atender a seita. Numa situação
dessas, sempre prevalecerá o que se tenha tornado obsessivo.
Quando era minha sócia no escritório, como ela não conseguia trabalhar
eficientemente, ajudei-a a iniciar um negócio de transporte escolar. O
meu objetivo era fazer daquilo uma empresa com alguns carros, motoristas
contratados, e prestando um serviço muito diferenciado dos já
existentes. Não foi possível. Minha mulher transformou-se em motorista,
como se mantém até hoje. Mesmo cansada com a sua atividade profissional,
ela está satisfeita, já que organizou o seu atendimento de modo a poder
ir ao Dojo com maior freqüência ainda. Às segundas-feiras, dorme lá.
Ela não fala de outra coisa desde quando levanta até quando vai dormir.
Minha ex-esposa leva uma vida conflituosa com todos os familiares que
não se submetam à Mahikari. Chega mesmo a ofender essas pessoas. Se
alguém adoece, só toma remédio escondido dela, que acha que tudo é
toxina. Ela própria apresenta por vezes sinais preocupantes quanto à sua
saúde, mas se recusa, terminantemente, a ir ao médico. Uma das filhas
dela, que foi obrigada desde criança a freqüentar a Mahikari, e lá fez o
seminário, sofre de cólicas renais, situação em que a mãe exige que ela
se trate apenas com o okiome. A moça finge, depois de horas recebendo a
energia, que a dor passou; faz isto para conseguir se afastar da mãe
e poder tomar um medicamento. Ela está sempre muito cansada e de mau
humor. Sábado retrasado, almoçou em minha casa, me fez vários elogios e
foi convidada por mim para ir ao teatro, assim que tivesse tempo. Ao
sair, me deu um beijo e nunca mais falou comigo. Até aqui lutei para
reequilibrá-la, pois a amo, mas nada consegui. A Mahikari é um rolo
compressor.
Estranhamente, quando ela fica sabendo que eu fui a um show ou coisa
parecida, deixa transparecer para as filhas uma preocupação sobre se eu
teria ido com alguma outra mulher.
Depois de ter acompanhado o processo de dominação desenvolvido pela
Mahikari, ter escrito bastante sobre ele, e haver encontrado na
internet os depoimentos de ex-seguidores dessa seita que contam as
mesmas coisas, eu não tenho por que ficar calado. Me sinto até no dever
de não calar; tanto assim é, que vou procurar um meio de levantar dados
judiciais sobre a história dessa seita no Japão.
A Mahikari, assim como outras coisas, pode destruir uma vida e até
destruir uma família, como já destruiu aqui e em outros países. Eu, que
lido com marcas e patentes, descobri há pouco que a Mahikari tem
sessenta e dois registros de marcas, coisa que evidencia tratar-se de um
negócio de respeitável porte. Até os nomes dos seus deuses estão
registrados, assim como trechos de orações.
Tendo essa influência pesada na minha vida e conhecendo pessoas que
perderam muito sob o jugo da seita, eu acho que não tenho apenas o
direito, mas também a obrigação de falar disto o mais que possa. A minha
ex-esposa começa o dia andando pela casa, impondo as mãos por todos os
ambientes e orando; dirige impondo a mão pelo caminho e atribui tudo o
que acontece de pior à não prática do okiome. Até o terremoto havido
aqui dias atrás ela atribuiu à vinda de um dirigente da Mahikari lá no
Japão. Seria um sinal da chegada do próprio Deus.
Muito escrevi, tanto em prosa como em verso, sobre essa experiência com
a dominação cruel de um ente querido por uma seita mafiosa. A CRUELDADE
DAS TOURADAS eu escrevi depois de ouvir da minha esposa, às vésperas de
um evento da Mahikari no Brasil, para o qual vieram pessoas de várias
partes do mundo, que esse afluxo de adeptos provava a seriedade da
seita. OBSESSÃO eu escrevi inspirado na atitude dela, subestimando tudo
que pudesse concorrer com a seita no emprego da atenção dela. LAVAGEM
CEREBRAL eu escrevi inspirado pela mesma situação e este artigo meu foi
publicado numa revista chamada INFOGENTE. SELF-SERVICE DA FÉ E DOS
PERDÕES, A ESPIRALADA EVOLUÇÃO DA VIDA também foram trabalhos inspirados
na Mahikari. Tudo o que escrevi está num site chamado
Usina de Letras.
Descupem-me por dizer tanto, mas isto já é uma síntese...
Anexos estão alguns dos textos meus e uma relação das marcas registradas
pela Mahikari.
Autorizo a divulgação deste depoimento, bem como dos anexos.
Atenciosamente,
Joel Ribeiro do Prado