Mahikari Revelada
Da seita Mahikari

by Joel Ribeiro do Prado
July 2008


Meu nome é Joel Ribeiro do Prado, sou natural de São Paulo-SP. Tenho um escritório que dá assessoria em marcas e patentes, atividade que desenvolvo há trinta anos, após ter sido relaçõe públicas da Editora Abril, em nível de governo.

Estou determinado a colaborar no desmascaramento da seita Mahikari, pois ela, através do seu mecanismo de dominação mental, bloqueou a capacidade de discernir da minha esposa, afastou-a do nosso lar, destruiu o nosso casamento e reprovou a idéia da minha já então ex-companheira de refazer a nossa união, o que ela pretendeu por sentir falta de mim, pois sempre fui um grande amigo que tudo fez para melhorar a vida dela que, quando nos conhecemos, já estava severamente afetada pela obsessão em que se transformara a seita. Para impedi-la de voltar ao meu convívio, além de desaconselhá-la, deram-lhe um novo encargo, que é o de "orientar" trezentos ou mais iniciantes na arte Mahikari.

Antes de conhecer o site em que os ex-membros da seita testemunham a verdadeira finalidade dela, eu, para saber o que seria em realidade a Mahikari, que fizera da minha companheira uma marionete, cursei o seminário básico. Nada do que vi me agradou, nem os chamados ensinamentos, já que mal se disfarçava a intenção de reter aprisionadas ali pessoas ingênuas, com deficiente estruturação psicológica e, por isto, capazes de se impressionar até com as orientações primaríssimas ministradas e que já na infância a gente recebe dos pais, quando eles têm boa formação.

Vi médicos participando de uma entidade que os discrimina, vi pessoas de bom nível profissional, e que poderiam doar o seu tempo em benefício real de outros, reduzindo-se a faxineiros de banheiros, porteiros de estacionamento e até transformando as suas residências em bases de curandeirismo, sem a menor preocupação com os resultados funestos que tantas vezes são produzidos pela falta de cuidados médicos adequados.

Cansei de estar só, de não ter a companhia da minha esposa nos almoços de domingo, muitos deles elaborados por mim mesmo, que trago da infância, vivida perto de uma inesquecível avó paterna, a convicção de que a cozinha é o lugar da casa onde se pode consolidar uma união familiar, com todos participando desde a feitura dos pratos até a reunião dos comensais numa mesa onde as idéias, os fatos, enfim, tudo o que seja assunto da família pudesse ser conversado num tom fraterno. Essas reuniões eram sempre impedidas pelas enfadonhas cerimônias em que o tom falso predomina e o senso maduro nunca permeia os depoimentos dos crédulos.

Por amar a minha esposa, fui resistindo às decepções com as atitudes imoderadas dela na sua submissão à seita. Dei a ela sociedade no meu escritório, mas ali também a Mahikari se fazia presente destrutivamente. Logo pela manhã, apareciam lá três ou mais pessoas para receber o okiome. A manhã se consumia nesse desvio do trabalho e a tarde era prejudicada pelos numerosos telefonemas que ora eram de pessoas querendo informações sobre a seita, ora era de membros ou dirigentes dela, para solicitar coisas.

Várias vezes ví minha mulher, quando em conversa com quaisquer pessoas - até com clientes nossos - deixar, propositadamente, cair no chão um folheto da Mahikari, para em seguida dizer que "nada é por acaso" e talvez aquela pessoa estivesse com algum problema que poderia ser resolvido na Mahikari. Como as pessoas sempre têm algum problema, essa forma de difundir a seita rende bons resultados para os seus dirigentes.

Minha mulher foi três vezes ao Japão, "para receber mais luz", como diz ela. A primeira vez em que ela foi, nós ainda não nos conhecíamos. Em 1. 999, já vivendo juntos, ela foi ao Japão pela segunda vez. Onze meses depois, quando cheguei à nossa casa pensando em levá-la a um restaurante, encontrei sobre a mesa da sala um bilhete em que ela dizia "Fui para o Japão. Beijos."

Arrebentado sentimentalmente, parecia que um ácido corroia o meu interior. Entendendo que poderia combater aquele mal-estar dedicando-me à feitura de uma coisa realmente boa, ocorreu-me tratar de alguns problemas de desentendimento genelalizado na família, que era algo onde os ressentimentos predominavam - um grupo cujos componentes estavam muito dispersos. Assim, movido por essa idéia, fui para diante do computador e escrevi PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE. Em seguida, distribui o texto entre vários familiares. Quando a minha esposa voltava do Japão, eu já havia conseguido o meu intento de pacificar a familia, mas havia ocorrido, na noite anterior, a morte da ex-sogra dela, da qual ela gostava. Fui buscá-la no aeroporto e voltamos conversando normalmente, sem que eu tocasse em nada que pudesse alterar aquele reencontro que eu queria que fosse harmonizador. Apenas quando entramos na garagem da nossa casa foi que eu comuniquei a ela a morte da ex-sogra, cujo corpo já estava numa cidade distante cerca de 400km. Eram 13h e ela me perguntou a que horas seria o sepultamento. Repondi que seria por volta das 17h e ela falou que teria de ir para lá imediatamente, pois a falecida não podia ser sepultada sem receber a imposição das mãos. Com muita dificuldade, demovi-a da idéia de ir para o féretro, pois teria de ir em alta velocidade, para chegar a tempo. Durante a tarde, sabendo que eu convidara as pessoas da família para um jantar - entre elas estavam os filhos dela - ela, que estava contrafeita por não ter ido impor as mãos na falecida, reagiu surpreendentemente, dizendo que eu estava querendo competir com a religião dela.

Impor as mãos é a religião da minha ex-esposa, que não tem qualquer outra atitude espitualista. Ela está oca - piedade zero, solidariedade zero, arrependimento zero.

A Mahikari, quando soube, isto há cerca de cinco meses, que havíamos nos reaproximado, deu a ela uma incumbência maior - a de orientar cerca de trezentas pessoas que por lá andam. Ao me comunicar isto, ela disse que estava pensando em se matar, pois se sentia dividida entre a vontade de voltar a viver comigo e a obrigação de atender a seita. Numa situação dessas, sempre prevalecerá o que se tenha tornado obsessivo.

Quando era minha sócia no escritório, como ela não conseguia trabalhar eficientemente, ajudei-a a iniciar um negócio de transporte escolar. O meu objetivo era fazer daquilo uma empresa com alguns carros, motoristas contratados, e prestando um serviço muito diferenciado dos já existentes. Não foi possível. Minha mulher transformou-se em motorista, como se mantém até hoje. Mesmo cansada com a sua atividade profissional, ela está satisfeita, já que organizou o seu atendimento de modo a poder ir ao Dojo com maior freqüência ainda. Às segundas-feiras, dorme lá. Ela não fala de outra coisa desde quando levanta até quando vai dormir.

Minha ex-esposa leva uma vida conflituosa com todos os familiares que não se submetam à Mahikari. Chega mesmo a ofender essas pessoas. Se alguém adoece, só toma remédio escondido dela, que acha que tudo é toxina. Ela própria apresenta por vezes sinais preocupantes quanto à sua saúde, mas se recusa, terminantemente, a ir ao médico. Uma das filhas dela, que foi obrigada desde criança a freqüentar a Mahikari, e lá fez o seminário, sofre de cólicas renais, situação em que a mãe exige que ela se trate apenas com o okiome. A moça finge, depois de horas recebendo a energia, que a dor passou; faz isto para conseguir se afastar da mãe e poder tomar um medicamento. Ela está sempre muito cansada e de mau humor. Sábado retrasado, almoçou em minha casa, me fez vários elogios e foi convidada por mim para ir ao teatro, assim que tivesse tempo. Ao sair, me deu um beijo e nunca mais falou comigo. Até aqui lutei para reequilibrá-la, pois a amo, mas nada consegui. A Mahikari é um rolo compressor.

Estranhamente, quando ela fica sabendo que eu fui a um show ou coisa parecida, deixa transparecer para as filhas uma preocupação sobre se eu teria ido com alguma outra mulher.

Depois de ter acompanhado o processo de dominação desenvolvido pela Mahikari, ter escrito bastante sobre ele, e haver encontrado na internet os depoimentos de ex-seguidores dessa seita que contam as mesmas coisas, eu não tenho por que ficar calado. Me sinto até no dever de não calar; tanto assim é, que vou procurar um meio de levantar dados judiciais sobre a história dessa seita no Japão.

A Mahikari, assim como outras coisas, pode destruir uma vida e até destruir uma família, como já destruiu aqui e em outros países. Eu, que lido com marcas e patentes, descobri há pouco que a Mahikari tem sessenta e dois registros de marcas, coisa que evidencia tratar-se de um negócio de respeitável porte. Até os nomes dos seus deuses estão registrados, assim como trechos de orações.

Tendo essa influência pesada na minha vida e conhecendo pessoas que perderam muito sob o jugo da seita, eu acho que não tenho apenas o direito, mas também a obrigação de falar disto o mais que possa. A minha ex-esposa começa o dia andando pela casa, impondo as mãos por todos os ambientes e orando; dirige impondo a mão pelo caminho e atribui tudo o que acontece de pior à não prática do okiome. Até o terremoto havido aqui dias atrás ela atribuiu à vinda de um dirigente da Mahikari lá no Japão. Seria um sinal da chegada do próprio Deus.

Muito escrevi, tanto em prosa como em verso, sobre essa experiência com a dominação cruel de um ente querido por uma seita mafiosa. A CRUELDADE DAS TOURADAS eu escrevi depois de ouvir da minha esposa, às vésperas de um evento da Mahikari no Brasil, para o qual vieram pessoas de várias partes do mundo, que esse afluxo de adeptos provava a seriedade da seita. OBSESSÃO eu escrevi inspirado na atitude dela, subestimando tudo que pudesse concorrer com a seita no emprego da atenção dela. LAVAGEM CEREBRAL eu escrevi inspirado pela mesma situação e este artigo meu foi publicado numa revista chamada INFOGENTE. SELF-SERVICE DA FÉ E DOS PERDÕES, A ESPIRALADA EVOLUÇÃO DA VIDA também foram trabalhos inspirados na Mahikari. Tudo o que escrevi está num site chamado Usina de Letras.

Descupem-me por dizer tanto, mas isto já é uma síntese...

Anexos estão alguns dos textos meus e uma relação das marcas registradas pela Mahikari.

Autorizo a divulgação deste depoimento, bem como dos anexos.

Atenciosamente,

Joel Ribeiro do Prado

 
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